quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

As esferas do ético e do religioso - Kierkegaard

A propósito de ético e religioso em Kierkegaard...

Eticamente, o homem sabe que nada mais lhe pode ser pedido além da sua decisão - pedir mais ou pedir menos não é humano nem preservará o humano. Porque o homem, se queremos que seja humano, não pode ser impedido de escolher o mal ou forçado a escolher o bem - o que seria pedir de mais - nem pode deixar de lhe ser exigido que escolha o bem ou que resista ao mal - o que seria pedir de menos. Eticamente, a decisão é tudo - e esteticamente é tão só nada, e é este nada que é, justamente, o mais difícil precisamente porque é nada esteticamente. Mas este mais difícil é o decisivo e nada mais pode ser exigido à consciência ética e nada mais pode ser exigido ao humano senão que ele se decida.

Religiosamente, nunca o homem pode dizer que há suficiência, religiosamente nunca há um basta, e o religioso que diz que faz quanto pode ou que já suporta tudo quanto pode ou que não tem mais forças para mais - não só não expressa o religioso como tenta a Deus, porque só Deus pode saber o que é exigido (se exige alguma coisa), e o homem não sabe melhor aquilo que é capaz de suportar ou de fazer do que sabe quantos cabelos tem na cabeça (se os tem). E assim o religioso supera o ético, mas supera-o preservando-o, supera-o elevando-o - e, no entanto, o religioso não é uma variação do ético, nem o ético uma introdução ao religioso, mas o religioso é toda uma nova esfera.

Sem comentários:

Enviar um comentário

discutindo filosofia...

Creative Commons License
Os textos publicados neste blog por luisffmendes estão sob uma licença Creative Commons

Gadget

Este conteúdo ainda não se encontra disponível em ligações encriptadas.