segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Platão, Carta VII

A propósito de imortalidade, felicidade e injustiça


Um pequeno trecho da Carta VII de Platão:


Οὔτε γὰρ πέφυκεν ἀθάνατος ἡμῶν οὐδείς, οὔτ᾽ εἴ τῳ συμβαίη, γένοιτο ἂν εὐδαίμων, ὡς δοκεῖ τοῖς πολλοῖς· […] διὸ καὶ τὰ μεγάλα ἁμαρτήματα καὶ ἀδικήματα σμικρότερον εἶναι χρὴ νομίζειν κακὸν πάσχειν ἢ δρᾶσαι, ὧν ὁ φιλοχρήματος [7.335b] πένης τε ἀνὴρ τὴν ψυχὴν οὔτε ἀκούει, ἐάν τε ἀκούσῃ, καταγελῶν, ὡς οἴεται, πανταχόθεν ἀναιδῶς ἁρπάζει πᾶν ὅτιπερ ἂν οἴηται, καθάπερ θηρίον, φαγεῖν ἢ πιεῖν ἢ περὶ τὴν ἀνδραποδώδη καὶ ἀχάριστον, ἀφροδίσιον λεγομένην οὐκ ὀρθῶς, ἡδονὴν ποριεῖν αὑτῷ τοὐμπίμπλασθαι, τυφλὸς ὢν καὶ οὐχ ὁρῶν, οἷς συνέπεται τῶν ἁρπαγμάτων ἀνοσιουργία, κακὸν ἡλίκον ἀεὶ μετ᾽ ἀδικήματος ἑκάστου, ἣν ἀναγκαῖον τῷ ἀδικήσαντι συνεφέλκειν ἐπί τε γῇ στρεφομένῳ καὶ ὑπὸ γῆς [7.335c] νοστήσαντι πορείαν ἄτιμόν τε καὶ ἀθλίαν πάντως πανταχῇ.

Platão, Carta VII, 334e-335c
Pois nenhum de nós é imortal por natureza, nem se o fosse se tornaria feliz, como pensa a maioria. […] E por isso devemos considerar ser um mal menor sofrer faltas e injustiças do que cometê-las. Aquele homem que é amigo de riquezas e pobre de alma não escuta isto, e se o escuta, ri-se, enquanto pensa pilhar desavergonhadamente por todo o lado tudo aquilo de que pensar, como uma besta, comer ou beber ou saciar-se a si mesmo, de forma servil e ignóbil, provocando o prazer incorrectamente chamado afrodisíaco. É cego e não vê, nessas pilhagens acompanhadas de impiedade, quão grande mal há sempre em cada injustiça, que fardo o injusto está condenado a carregar enquanto anda pela terra e quando regressa para debaixo da terra numa caminhada de todo o modo sem honra e miserável.
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