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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O Humano e o começo da Filosofia


A propósito do humano... e da Filosofia...



Uma das obras em grego certamente mais lida é de Diógenes Laércio, sobre a Vida dos Filósofos Ilustres.

Esta obra é muito importante para qualquer um que estude um qualquer filósofo grego e é um manancial de informação sobre a cultura da Antiguidade. Bem, isto agora não interessa nada... O caso é que, qualquer estudante de Filosofia ou de Grego, ou de Cultura Grega, etc., já deve ter-se visto com esta obra, ou pelo menos lido excertos. E, embora seja sobretudo uma obra de consulta, à qual vamos beber um trecho aqui, outro ali, conforme se estuda Tales ou se procuram afirmações de Demócrito - a verdade é que, mais tarde ou mais cedo, damos de caras com o seu início...



Quando me deparei com aquelas linhas tão enigmáticas do Prólogo duvidei do meu grego, com toda a certeza incipiente, e procurei as traduções inglesa, francesa, espanhola... Mas todas elas liam o mesmo que eu!!!

Bem, mas afinal que é que diz o nosso jornalista filosófico da antiguidade? Diz uma coisa muito estranha:


Τὸ τῆς φιλοσοφίας ἔργον ἔνιοί φασιν ἀπὸ βαρβάρων ἄρξαι. […]
Λανθάνουσι δ' αὑτοὺς τὰ τῶν Ἑλλήνων κατορθώματα, ἀφ' ὧν μὴ ὅτι γε φιλοσοφία, ἀλλὰ καὶ γένος ἀνθρώπων ἦρξε, βαρβάροις προσάπτοντες.

Bem, se estão a ler o texto, então, de certeza estão admirados...

De qualquer forma, eu fiquei. Esta é a tradução:

"Dizem alguns que o exercício da Filosofia começou entre os bárbaros. […]
Mas, esses desavisados atribuem aos bárbaros os sucessos dos Gregos, com os quais não só a filosofia, mas também o género humano começou."

O que é estranho não é que Diógenes atribua o começo da Filosofia aos gregos. Com certeza que isso é mais ou menos evidente. O que estranhei foram aquelas palavras: ἀλλὰ καὶ, mas também, γένος ἀνθρώπων, o género humano.

Como ler isto? Se Diógenes quisesse dizer natureza humana teria dito φύσις τοῦ ἀνθρώπου. Mas com certeza que ele não estava a dizer que foram os gregos que fizeram o género humano, como se tivessem manipulado um conjunto de genes e dado origem a uma nova espécie.

Fosse o que fosse que quisesse dizer ele estava a afirmar que os Gregos - portanto, já havia Gregos - deram começo a várias coisas, uma das quais o humano.

E Diógenes apresenta as obras dos Gregos como grandes sucessos, coisas bem feitas, τα κατόρθωματα. O termo deriva de ὀρθός, direito, correcto, certo. The good deeds of someone, we could say. Os feitos dos Gregos incluem o género humano, γένος ἀνθρώπων - e ele não diz  ἔθνος (tribo, povo, nação), mas sim γένος (descendência, raça).

Ainda hoje nós mantemos diferenciadas essas duas raízes de palavras: etnia não se confunde com genética - embora os membros de uma etnia se considerem, normalmente, geneticamente próximos. A etnologia distingue-se do estudo dos genes. Percebemos que os genes não fazem a etnia. A etnia é mais do que isso. Os mesmos genes poderiam dar etnias diferentes. Genes diferentes a mesma etnia. Mas não podemos inferir que, para Diógenes, no termo γένος estivesse a noção de gene, genoma ou genética. Da mesma forma, compreender o ἔθνος como povo ou nação pode acarretar conotações que Diógenes jamais aceitaria.

O que poderá estar Diógenes a dizer?

Poderia estar a afirmar uma tese meramente histórica, como se afirmasse que foram os Gregos que desenvolveram a Filosofia e que, já agora, o primeiro da espécie homem, no sentido de espécie que usaríamos hoje, foi um grego. Será que Diógenes pensava que todos os homens à face da terra eram descendentes dos Gregos? Como se Adão e Eva tivessem sido Gregos? Não nos parece. É que trata-se de uma obra. Algo feito. O humano é fruto do trabalho dos gregos. Resultado da sua ocupação.

Hoje nós julgamos saber que aquilo que somos hoje se deve aos Gregos. Aos Gregos e não só. Mas aos Gregos. Seria isso que Diógenes estaria a dizer? Teria ele consciência de que aquilo a que chamava humano só o era como era, já no seu tempo, por força da obra helénica?

De facto, os Gregos, e nós com eles, tinham a convicção de que tinham inaugurado um acontecimento no mundo. Eram os executantes de uma novidade. Nada do que tinha sido o homem, nada do que tinham sido os bárbaros poderia igualar-se ao que os Gregos fizeram brotar. Seria isso que Diógenes estaria a dizer: que os Gregos foram o princípio de algo completamente novo, radicalmente diferente, a saber, o género humano? Mesmo que antes dos Gregos, e em simultâneo com eles, existissem outros símios sem pêlos, outros animais bípedes sem penas, outros entes com a mesma aparência externa, na verdade a absoluta novidade grega fora o princípio do humano como tal. Seria isso a sua reivindicação?

Provavelmente, isso estaria na mente de Diógenes, o qual, como qualquer grego antigo, estaria consciente da diferença absoluta entre aquilo que a cultura helénica era e aquilo que o bárbaro fora e continuava a ser. O grego era um novo acontecimento, mas de tal modo novo que não poderia ser confundido, nem poderia ser devolvido, ao anterior. O humano surgira na Hélade - estava, talvez, a dizer Diógenes - com uma cultura, uma consciência, um sentido que não poderia ser reduzido ou dissolvido no que era simplesmente o bárbaro, o homem não grego. A singularidade grega não poderia ser, de forma alguma, compreendida sequer como mera possibilidade, alternativa entre outras, do bárbaro.

Mas a que poderá corresponder esta novidade, este hiato, esta diferença? Com certeza já o Génesis falava do homem, da sua geração, do seu princípio. O princípio grego teria de ser diferente, se dava começo a uma nova coisa, ao género humano, diferente do homem.

Sabemos que os pensadores Gregos foram exímios na arte de fazer surgir no humano a consciência de si próprio. Os Gregos fizeram curvar-se sobre si mesmo o impulso para fora do humano. Pelo menos na medida em que tal pode ser possível. Os filósofos não se limitaram a colher da natureza à sua volta princípios unificadores. Não se limitaram a recolher regularidades, a anotar indícios de previsibilidade - aquilo que, em grande medida, era o ancião não grego. O ancião, o xamã, o sacerdote, o homem de sabedoria não grego podia fazer-se um bom conselheiro e até prever eclipses. E os próprios Gregos fizeram isso forma exímia para o seu tempo. Narraram os fenómenos, descreveram a natureza, encontraram nela princípios unificadores. Mas a dada altura deram conta de que um certo ente não se integrava na paisagem como os outros. Os Gregos fizeram sair do pano de fundo morto da paisagem o humano. Deram-lhe existência, fizeram-no vir à tona. O hebreu descrevia naturalmente, e de forma bastante penetrante, a condição humana. Mas descrever a condição humana não é necessariamente o mesmo que investigar a natureza humana. Muito menos o mesmo que reconhecer e identificar a singularidade humana face ao resto.

E é isso que notamos em Diógenes. Diógenes sabe isso. E diz isso. Seja o que for que isso signifique, se quisermos ir mais além no esboço anterior, Diógenes, de facto, diz que os Gregos foram o princípio de algo completamente novo que teve o seu começo na Filosofia... Porque, com certeza, não é por acaso que, falando da Filosofia, diz que não se trata só da Filosofia... No começo da Filosofia está em causa mais do que uma mera actividade, mais ou menos teórica. O sentido dessa tarefa, da Filosofia, é de tal modo que determina um novo acontecimento no mundo: o género humano. Começar a filosofar há-se significar dar começo ao acontecimento do humano como tal. Não que não existissem homens a passear pelo mundo antes da Filosofia. Mas com a Filosofia Grega nasce a consciência disso. O Humano sabe de si, ou melhor, sabe do seu acontecimento e, embora ainda hoje continuemos na senda da determinação disso, é importante que com os gregos essa senda tenha tido começo. Mas é de facto tão importante que permite que Diógenes afirmasse que um dos sucessos helénicos foi, precisamente, o Género Humano. Isto significa que Diógenes, quer estivesse certo ou errado, estava consciente de fazer parte de algo diferente. Muito diferente dos bárbaros. Portanto, o acontecimento grego é de tal modo que os humanos passam a tomar-se a partir de um ponto de vista que se distingue a si mesmo como radicalmente diferente face ao resto. De tal modo que a característica distintiva deste olhar é a consciência de si, nessa diferença de si face ao resto, e a consciência dessa consciência. Diógenes estava consciente disso. A sua tese prova-se a si mesma pelo simples facto de se expor. Ao dizer o que diz Diógenes já mostra isso que está a dizer: o humano compreende-se como uma outra coisa irredutível aos restantes acontecimentos.

Portanto, é isto que Diógenes afirma antes de mais: que há um acontecimento novo. Esse acontecimento pode ser chamado género humano e o seu começo tem tudo que ver com o começo da Filosofia. E o que chama a atenção é que é alguém que se compreende como parte desse próprio acontecimento que indica isso mesmo. Diógenes considerava-se parte do género humano, desta nova coisa que surgira com os Gregos. E tinha consciência disso. A humanidade implica esta consciência de si que garante uma novidade face ao resto. 

A humanidade tal como a concebemos e da qual somos parte, teve início aí. Refutar Diógenes não é muito fácil. Principalmente deve ter-se o cuidado de perceber que a sua afirmação não pode ser catalogada de forma imediata como racismo, xenofobia, patriotismo, etnocentrismo, e quantos nomes nos lembremos à roda disto... Não vamos aqui desenvolver isto, porque o artigo já vai demasiado longo... Mas é importante que se leia e compreenda o que está em causa na sua afirmação e entender de que modo isso não é nenhuma declaração patriótica nem racista. Porque, muito provavelmente, a noção de humano que hoje entendemos como capaz de nos juntar a todos num mesmo conceito é essa mesma a que Diógenes faz referência. Muito provavelmente, só porque os Gregos começaram por se compreender a si mesmos na singularidade humana é que nós hoje nos podemos compreender a todos como humanos.










quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Obras de Mário Jorge de Carvalho


Autor: Mário Jorge de Carvalho (Professor de Filosofia)

Total de artigos: [ 18 ].

A ordenação dos artigos não segue qualquer critério excepto o da data de inclusão neste Blog.

Alguns links podem estar desactualizados.



"To begin, there is no evidence to suggest that Fichte had any direct knowledge of the Stoic doctrine of oikeiosis. He never uses the concept of oikeiosis. It is probable he had absolutely no idea of it. And to impute him a doctrinet of oikeiosis may seem far-fetched, if not absurd. Nevertheless, it is possible to speak of Fichte's "doctrine of oikeiosis," and an analysis of it may prove useful and enlightening, both with regard to the study of oikeiosis and to the study of Fichte. For, to a certain extent, Fichte deals with the same phenomena and faces the same problems, viz., the same dilemmas as the Stoics. In a certain sense, then, we can say that Fichte developed his own doctrine of oikeiosis. This doctrine can be found in different texts, among them the Sittenlehre of 1798. A comparison of Fichte and the Stoics on oikeiosis can, therefore, be of value for the study of Fichte, as it can provide a better understanding of his own philosophical stance, and it can also be of value for the study of the phenomena falling under the heading of oikeiosis, because Fichte attempts a fresh analysis of these phenomena and calls into question some of the deepest and most pervasive assumptions accepted in their philosophical and scientific analysis from antiquity to the present time."

2. Do Belo como constituinte do humano segundo Sócrates/Diotima

‎"ἡ θνητὴ φύσις ζητεῖ κατὰ τὸ δυνατὸν ἀεί τε εἷναι καὶ ἀθάνατος". Platão, Symposium/Banquete, 207d1.

"O texto fala de qualquer coisa como um καλόν puramente tal – e seria ocioso acentuar como é difícil entender o que isso seja e como é legítimo duvidar que, na verdade, haja (ou até mesmo que em absoluto pudesse alguma vez haver) algo assim.

[...] independentemente do que há ou não há, independentemente do que se consegue ou não consegue atingir, em última análise aquilo para que tende a petição de καλόν inscrita em nós (aquilo que, no fundo, procuramos na procura do Belo) seria nem mais nem menos do que a total conversão num καλόν puramente tal, feito inteiramente, exclusivamente disso. [...] esse é que é, em última análise, o Belo envolvido na constituição do Humano, essa é que é como que a Ítaca do nosso desassossego – uma Ítaca que até pode não haver ou a que, de todo o modo, porventura temos de renunciar, por não estar ao nosso alcance, mas para que tendemos. De sorte que nos define também sermos aqueles que, no fundo, mesmo que não tenham clara noção disso, sempre estão na falta e na procura de algo assim."


Mário Jorge de Carvalho, "Do Belo como constituinte do Humano segundo Sócrates/Diotima", In Revista Filosófica de Coimbra — n.º 38 (2010), pp. 369-468. Citação das pp. 446-447.

3. O egoísmo lógico e a sua superação – um aspecto fundamental do projecto crítico de Kant (ver pág. 229)

"A noção de “egoísmo lógico”, o complexo de fenómenos que designa e a análise daquilo que é preciso para a respectiva superação constituem importantes elementos do conceito formal de crítica. Na origem do projecto crítico, tal como foi desenvolvido por Kant (e tanto quer dizer, na origem de todos os seus desenvolvimentos), está a identificação de um conjunto de requisitos ou princípios de exigência quanto à perfeição formal na adopção de juízos. Esta perfeição corresponde à correcção na forma como os juízos são adoptados. Ela não tem que ver com (e não garante) a verdade material dos juízos. Consiste pura e simplesmente numa forma de adopção dos juízos (ou de relação com os juízos a adoptar) que não abra o flanco à possibilidade de erro – e isso quer dizer: que não envolva qualquer transgressão, não contenha nada de indevido ou mal formado no modo como se produz. Por outras palavras, no seu núcleo de base, a crítica tem que ver com a verificação da ausência (e, caso se encontre algum, com a total eliminação) daquilo a que Kant algumas vezes chama vitium cognitionis formale1 – um vício formal do conhecimento, um vício que compromete, por razões de forma, a perspectiva que se tem, impedindo-a de constituir efectivamente conhecimento."

Mário Jorge de Carvalho, "O egoísmo lógico e a sua superação - um aspecto fundamental do projecto crítico de Kant", In Kant: posteridade e actualidade, Lisboa, CFUL, 2006, pp. 229-256.


"Vorliegender Beitrag  befasst sich mit Fichtes Rezeption  von  Schellings System des transzendentalen  Idealismus. Es geht aber nicht darum, sämtliche Elemente zusammenzustellen und zu verwerten, die für die Erörterung dieser Frage relevant sind, und Fichtes Auseinandersetzung  mit dem genannten Hauptwerk Schellings eingehend zu analysieren. Man  muss sich  vielmehr darauf beschränken, auf einen  Teil der einschlägigen Quellen, und zwar auf Fichtes Kommentar zu Schellings Werk (unter der Überschrift „Bei der Lektüre von Schellings tr. Idealismus“) einen Blick zu werfen. Es handelt sich um ein zweiseitiges Manuskript, d. h. also um ein Fragment, ja um flüchtige Notizen, zum Teil sogar aus unvollständigen  Sätzen  bestehend. Hinzu  kommt, dass Fichtes Kommentar sich nur mit den ersten dreißig Seiten der schellingschen Abhandlung befasst. Ob  dies bedeutet, dass er die Lektüre abgebrochen  hat, weil er „sich  über die grundsätzliche Natur dieses Systems klargeworden  war“, muss hier dahingestellt bleiben. Sicher ist auf jeden Fall, dass der Kommentar sehr knapp gefasst und ziemlich bruchstückhaft ist."

Mário Jorge de Carvalho, Brüsseler Kongress der Internationalen Fichte-Gesellschaft (2009), disponível em www.europhilosophie.eu

5. Μέθοδος e ὑπόθεσις – o problema do pressuposto na fundação platónica da filosofia (ver ambos os links)


"Uma análise suficientemente fundada das questões que vamos considerar requereria que se examinasse, ponto por ponto, pelo menos toda a sequência dos livros V a VII da República."

6. A Further Point of View on Points of View

"This paper focuses on what is usuallu called "point of view" or "viewpoint" ("Standpunkt", "Gesichtspunkt", "point de vue", "punctum visus", "intuentis situs", etc.)."

7. Mallas que la autoconciencia teje


"Antes de concentrarnos en el § 9, convendrá tener presente la recapitulación que le precede y donde se diseña una sinopsis delrecorrido hecho desde el principio de la Wlnm. [...]

[...] En primer lugar, Fichte subraya que el hecho de que yo tenga en absoluto conciencia de algo radica propiamente en mí y no en las cosas. Por un lado, ese algo del que por de pronto tengo conciencia soy yo mismo. Por otro, todo lo demás (esto es, todo aquello que puede distinguirse de la autoconciencia propiamente dicha y, en concreto, las cosas mismas) corresponde tan sólo a las condiciones o a los requisitos de la autoconciencia misma —es decir corresponde a algo sin lo cual la misma autoconciencia no sería en absoluto."

8. O Tempo e o Cântico - Um Aspeto das Análises de Agostinho Sobre o Tempo


"Analisa-se a comparação entre o cântico e o tempo em Confessiones, XI. Procura-se mostrar que esta comparação a) ilustra a complexidade da distentio animi, enquanto cada um dos seus momentos também está constituído no modo da distentio, b) foca a isomorfia de estrutura entre as partes da actio, a actio, a actio longior, a uita, o saeculum, c) chama a atenção para o facto de uma actio se integrar sempre no quadro de uma actio longior, de esta se integrar sempre no quadro de uma uita e de esta se integrar sempre no quadro do saeculum, d) evidencia, portanto, que a distentio animi é de cada vez total, corresponde sempre a um cântico total – de sorte que e) antecipa a tese de Kant segundo a qual não é possível uma representação apenas parcial do tempo e a representação do tempo constitui um totum analyticum."

9. Wahrnehmung und Selbstreferenz: der selbstreferentielle Charakter der Wahrnehmung nach Hierokles

"Im Folgenden ist ausschließlich von Hierokles, dem Stoiker aus der Mitte des 2. Jahrhunderts nach Christus die Rede, wovon im voraus jedermann ausdrücklich verständigt sei, damit niemand später getäuschte Erwartungen einklagen könne."

10. Die Aristophanesrede in Platons Symposium: die Verfassung des Selbst (parcial)

11. Introducción histórica (parcial) in: J. RIVERA DE ROSALES et al. (ed.), La polémica sobre el ateismo. Fichte y su época

12. Fichte y el problema de la relevancia ética de la existencia de Dios (parcial) in: J. RIVERA DE ROSALES et al. (ed.), La polémica sobre el ateismo. Fichte y su época

13. La politique de l’expérience et ses limites – Fichte et les enjeux gnoséologiques de la politique


"D' ordinaire la réflexion politique ne s'attarde sur des questions gnoséologiques et on ne peut pas non plus dire que la politique soit un object priviligié de la réflexion sur la problématique de la connaissance. L'un des traits les plus intéressants de la pensée de Fichte est le fait qu'il rapproche ces deux domaines traditionnellement assez éloignés l'un de l'autre" Pour lui la question politique ne peut pas faire abstraction des problèmes qu'elle soulève sur le plan gnoséologique et d'autre part le problème de la connaissance est tellement crucial qu'il embrasse et touche tous les aspects de la vie y compris la vie politique."

13. Gedachtes Denken/Wirkliches Denken: A Strictly Philosophical Problem in Fichte’s Reden (parcial)


14. Plato’s Gorgias: Labyrinth and Threads, Coimbra, Instituto de Estudos Filosóficos, Universidade de Coimbra, 2016

15. Fichte and the Body in Action, Revista de Estud(i)os sobre Fichte 12 (2016)

16. Fichte, Heidegger and the Concept of Facticity, in: WAIBEL, V./BREAZEALE, D./ROCKMORE, T. (ed.), Fichte and the Phenomenological Tradition, Berlin, De Gruyter, 2010, 223-260

17. Problemas fundamentais de fenomenologia da finitude, Tese de doutoramento, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, 1996, disponível no RUN (Repositório da Universidade Nova), URI: http://hdl.handle.net/10362/27678;

18. Ἐπιμελεῖσθαι AND ᾄττειν IN THE ALCIBIADES MAJOR, in: M. Jorge de Carvalho, Samuel Oliveira, Rediscovering the Alcibiades Major

Outros:
Teses orientadas por Mário J. Carvalho, publicadas na Internet.