sábado, 20 de junho de 2015

O MAL

A propósito de Bem e Mal

"Deve-se fazer o Bem e evitar o mal"

- este princípio é evidente em si mesmo, não pode ser produzido de forma alguma e a sua suspensão é o Mal. Não se pode provar que se deve fazer o Bem, pois a noção de Bem significa, justamente, que se deve fazer.


Seja como for que as coisas se passem, sempre que um sujeito toma consciência de si perante a injunção ética, há uma contradição que se impõe na disjunção "ou o Bem, ou o mal", mas isto é de tal forma que a injunção já sempre põe o Bem como "o que se deve fazer prontamente", e o mal como "o que se deve evitar" – e qualquer suspensão disto - incluindo para perguntar "o que é o Bem?" - é o Mal em sentido próprio.

A ética em Fichte



"Defende-se que a mente humana se encontra a si mesma absolutamente compelida a fazer certas coisas independentemente de qualquer fim externo, mas pura e simplesmente para as fazer, e a evitar fazer outras coisas de modo igualmente independente de quaisquer fins externos, pura e simplesmente para as deixar por fazer. Na medida em que tal compulsão se manifeste necessariamente nos seres humanos apenas por serem seres humanos, constitui aquilo a que se chama natureza moral ou ética dos seres humanos enquanto tal."

Fichte, O sistema da ética

O ABSOLUTO são os negócios

A propósito da VERDADE




A verdade está nos pormenores. Em certo sentido, é verdade.

Há dias o Paulo Portas disse numa visita a uma qualquer feira de empresários que "Primeiro os negócios, depois a política".

Aqui está a grande ideologia que não se vê como ideologia:
"PRIMEIRO OS NEGÓCIOS, depois o resto.


Outro dia disse o Cavaco que "há coisas que não admitem excepção". E depois concretizou: essas coisas "são as regras económicas".

Pois, o que não admite excepção, o que realmente é a coisa principal é os negócios, a economia.

Repare-se: há quem diz que o principal é o humano, e a lei feita para o servir. Há quem diz que aquilo que não admite excepção são os nossos deveres éticos, e o respeito pela humanidade de cada humano.

Hoje não: a dignidade de cada um enquanto humano, os deveres éticos de cada um, o humano, a ética, a política - tudo isto é um "depois", algo "secundário", que "logo se vê", no qual pensa "mais tarde". O principal, o Absoluto que não admite excepção, com o qual não se brinca, cujo nome nem se pode pronunciar sem esboçar uma cara de sério é o quê?

OS NEGÓCIOS
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