quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Quem morreu antes de Cristo pôde salvar-se??? O que diz o Catolicismo? Anotações

A propósito de salvação e outros assuntos...




Ver a partir do ponto 781 até ao 810. Apenas se salva quem pertence à Igreja, e a Igreja é o corpo de Cristo. Apenas com Cristo as portas do Reino dos céus se abriram e a chave foi confiada a Pedro, aos seus sucessores. Aliás, só pela fé e pelo Baptismo se entra no Povo de Deus (ver, por exemplo, ponto 804).

O ponto 1281 parece contradizer o indício anterior: “1281. Os que sofrem a morte por causa da fé, os catecúmenos e todos aqueles que, sob o impulso da graça, sem conhecerem a Igreja, procuram sinceramente a Deus e se esforçam por cumprir a sua vontade, podem salvar-se, mesmo sem terem recebido o Baptismo (89).” Este ponto parece contradizer todos os outros em que se diz claramente que a Igreja é necessária à salvação. Sobretudo parece esquecer que a vontade de Deus, tal como a concebe a cultura judaico-cristã de matriz greco-latina, não está presente noutras culturas. Os habitantes de Esparta e os Dobu, na Nova Guiné, acreditavam que roubar era moralmente correcto. O povo a que se chama esquimó (o Inuit) deixava os idosos morrer de fome. Na África Oriental os bebés deficientes eram atirados aos hipopótamos. Sempre que morria um membro da tribo Kwakiutl, os familiares do falecido julgavam ser seu dever sair em busca de membros de outras tribos para os matar: não por serem responsáveis, simplesmente acreditavam que se lhes morria alguém na família, tinham o dever de matar outras pessoas de outras tribos. Na Índia, sempre que morria alguém casado, as suas mulheres eram queimadas. Nas ilhas Fidji era dever moral dos filhos matar os pais quando estes envelheciam e ficavam dementes ou incapacitados fisicamente, porque acreditavam que quem morria ficava para toda a eternidade como estivesse no momento da morte: se morresse demente ficaria demente para sempre. Os povos mesoamericanos acreditavam que, para honrar os deuses, deveriam sacrificar humanos. Na Gronelândia, quando o pai adoecia enterravam-se os filhos vivos. As práticas relativas ao sacrifício de humanos eram comuns na pré-história, e mesmo na Hélade há vestígios da sua ocorrência (ver Tratado da História das Religiões, Mircea Eliade, ed. Asa, 5ª ed., pág.s 426 e 449-450).

Também em Rom 2:14-15 se fala daqueles que não são Judeus mas que fazem o que a Lei manda segundo a natureza (φύσει). Mas como se sabe, para o crente a lei não basta. Aliás, os cristãos já não estão sujeitos à lei (Rom 3:19-21). Ver também Rom 2:12: ὅσοι γὰρ ἀνόμως ἥμαρτον, ἀνόμως καὶ πολοῦνται, καὶ ὅσοι ἐν νόμῳ ἥμαρτον, διὰ νόμου κριθήσονται· (“Certamente quantos sem lei falharam, sem lei também serão mortos, e quantos na lei falharam, através da lei serão julgados.”). A tradução oficial deste passo diz: quicumque enim sine lege peccaverunt sine lege et peribunt et quicumque in lege peccaverunt per legem iudicabuntur (Pois todos os que pecaram sem lei também sem lei perecerão, e quantos pecaram na lei serão julgados pela lei). As traduções modernas vertem para: “Todos os que pecam sem conhecer a Lei de Moisés perdem-se sem serem julgados por essa lei. Mas todos os que pecam, apesar de a conhecerem, serão condenados pela mesma lei.” (trad. Capuchinos, ed. de 1993). Mas, quer o grego, quer o latim, quer a tradução moderna não esclarece nada: o que significa ser morto ou morrer sem lei? O que significa perder-se sem ser julgado?

Aliás, o que é lei quando não há a Lei? Está na natureza do humano, nos seus corações. Mas a Lei é a Lei de Moisés a qual apenas se consuma plenamente em Cristo (Rom 7).
Segundo a Bíblia sem a Lei não há pecado. No capítulo 7 de Rom, verso 7 em diante, Paulo tem uma das passagens mais largamente comentada em Filosofia. Aí Paulo concede que não haveria pecado sem lei, reconhece que ao saber de uma proibição, essa mesma proibição espicaça o desejo de a quebrar e sugere que a Lei cria no humano ocasião para pecar contra a mesma Lei. É que saber da Lei redobra a força do pecado. Rom 7:8: χωρὶς γὰρ νόμου ἁμαρτία νεκρά. (“certamente separado da lei a falta está morta”, isto é, sem lei não há pecado). 7:7: Τί οὖν ἐροῦμεν; νόμος ἁμαρτία; μὴ γένοιτο· ἀλλὰ τὴν ἁμαρτίαν οὐκ ἔγνων εἰ μὴ διὰ νόμου τὴν τε γὰρ πιθυμίαν οὐκ ᾔδειν εἰ μὴ νόμος ἔλεγεν οὐκ πιθυμήσεις. (“Então que diremos? A lei é falta? Não é o caso. Mas a falta eu não conheceria se não através da lei – e certamente não teria conhecido o desejo se a lei não tivesse dito não desejarás.”)

Mas, afinal, quem nasceu antes de Cristo pode ou não ser salvo? Esta discussão estava viva e Paulo não poderia deixar de fora os Patriarcas da tradição. Ver Rom 4:1-12. É neste passo, que não transcrevo por ser longo, que Paulo mais parece aceitar que os Patriarcas antes de Jesus foram aceites por Deus. Mas não pelas obras que fizera (Rom 4: 2). Não são as obras de Abraão que o salvam, pelo contrário, se fossem as suas obras a salvarem-no isso poderia levá-lo ao pecado do orgulho, afastando-o de Deus. O que o salvou foi ter acreditado em Deus (Rom 4:3).

Em Rom 5: 12-20 Paulo fala dos períodos da humanidade: de Adão a Moisés, de Moisés a Jesus, depois de Jesus… Aí se diz algo também muito complexo e aparentemente contraditório com outras passagens: ἄχρι γὰρ νόμου ἁμαρτία ἦν ἐν κόσμῳ, ἁμαρτία δὲ οὐκ ἐλλογεῖται μὴ ὄντος νόμου (“certamente, desde antes da lei a falha era no mundo, mas a falha não era imputada não havendo lei”). E a morte reinou de Adão a Moisés mesmo sobre aqueles que não pecaram como Adão (ἀλλἐβασίλευσεν θάνατος π Ἀδὰμ μέχρι Μωϋσέως καὶ π τοὺς μὴ ἁμαρτήσαντας π τῷ ὁμοιώματι τῆς παραβάσεως Ἀδάμ). Portanto, o pecado afinal existe sem Lei, mas não é tido em consideração. Contudo, a morte dominou o humano após o pecado de Adão. Por causa da falta de Adão todo o género humano foi condenado (versos 17-18). Com a chegada da Lei o pecado ainda aumentou (verso 20). Mas como Deus é bom, ofereceu Jesus Cristo por nós para nos conduzir à vida eterna (verso 21). Ver Catecismo ponto 518: “Toda a vida de Cristo é mistério de recapitulação. Tudo o que Jesus fez, disse e sofreu tinha por fim restabelecer o homem decaído na sua vocação originária: «Quando Ele encarnou e Se fez homem, recapitulou em Si a longa história dos homens e proporcionou-nos, em síntese, a salvação, de tal forma que aquilo que havíamos perdido em Adão – isto é, sermos imagem e semelhança de Deus – o recuperássemos em Cristo Jesus» (199). «Aliás, foi por isso que Cristo passou por todas as idades da vida, restituindo assim a todos os homens a comunhão com Deus» (200).”
Note-se que desde Adão os homens haviam perdido o serem imagem e semelhança de Deus.

Depois, no capítulo 6, Paulo descreve como é a morte e a ressurreição de Cristo e o nosso baptismo que nos salvam.

O ponto 1281 afirma que alguns homens se podem salvar sem Baptismo e sem “conhecerem a Igreja”, mas isto é contradito imensas vezes. Ver, por exemplo, ponto 1992 e seguintes: “A justificação é concedida pelo Baptismo, sacramento da fé.” A justificação é a remissão dos pecados e a santificação do homem interior (ver ponto 2019).

Continuando. Só com Cristo se deu a reconciliação após o pecado original. A expiação ocorre com a morte de Cristo, e é a sua ressurreição que possibilita a salvação. Ver pontos 648-678. O acesso à salvação não deriva da natureza humana, mas sim exclusivamente da graça divina consumada na ressurreição.

Vejamos o ponto “654. Existe um duplo aspecto no mistério pascal: pela sua morte, Cristo liberta-nos do pecado; pela sua ressurreição, abre-nos o acesso a uma nova vida. Esta é, antes de mais, a justificação, que nos repõe na graça de Deus (582), «para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos [...], também nós vivamos uma vida nova» (Rm 6, 4). Esta consiste na vitória sobre a morte do pecado e na nova participação na graça (583); realiza a adopção filial, porque os homens tornam-se irmãos de Cristo, como o próprio Jesus chama aos discípulos depois da ressurreição: «Ide anunciar aos meus irmãos» (Mt 28, 10) (584). Irmãos, não por natureza, mas por dom da graça, porque esta filiação adoptiva proporciona uma participação real na vida do Filho, plenamente revelada na sua ressurreição.

655. Finalmente, a ressurreição de Cristo – e o próprio Cristo Ressuscitado – é princípio e fonte da nossa ressurreição futura: «Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram [...]. Do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida» (1 Cor 15, 20-22). Na expectativa de que isto se realize, Cristo Ressuscitado vive no coração dos seus fiéis. […]”

Note-se que O Cristo é o Verbo feito homem, mas Cristo e Verbo não são a mesma coisa. Ver, por exemplo, pontos 990-1015. O Verbo fez-se carne (isto é, humano) para redimir a carne. Faço aqui lembrar que a Ressurreição significa que será do corpo e da alma. O humano que virá a ressuscitar será carne. Podemos ver isso no ponto 990:

“990A palavra «carne» designa o homem na sua condição de fraqueza e mortalidade (560) «Ressurreição da carne» significa que, depois da morte, não haverá somente a vida da alma imortal, mas também os nossos «corpos mortais» (Rm 8, 11) retomarão a vida.”

O ponto 990 é confuso: a carne é mortal, mas depois da morte haverá carne, isto é, “corpos mortais”. A Ressurreição é da carne.

“1015. «Caro salutis est cardo – A carne é o fulcro da salvação» (601). Nós cremos em Deus, que é o Criador da carne; cremos no Verbo que Se fez carne para remir a carne; cremos na ressurreição da carne, acabamento da criação e da redenção da carne.

Ratzinger comenta estes aspectos em Jesus de Nazaré – Da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição: pág. 192, “a nossa moralidade pessoal não basta para venerar de modo justo a Deus […]. Mas o Filho feito carne carrega em Si todos nós e, assim, dá aquilo que nós, sozinhos, não podemos dar”; “a ressurreição é o ponto decisivo. Que Jesus tenha existido só no passado ou, pelo contrário, exista também no presente depende da ressurreição.” Ou seja, Jesus não é o Verbo, mas sim o Verbo encarnado. Jesus morreu e ressuscitou, subiu aos céus em corpo. E é este Cristo que é o princípio do Reino de Deus e do Povo Cristão. Pág. 199: “Na ressurreição de Jesus, foi alcançada uma nova possibilidade de ser homem, uma possibilidade que interessa a todos e abre um futuro, um novo género de futuro para os homens.”

Jesus morreu pelos nossos pecados. Ver 1 Cor 15: 3: ὅτι Χριστὸς πέθανεν πὲρ τῶν ἁμαρτιῶν ἡμῶν κατὰ τὰς γραφάς (literalmente: “que Cristo morreu pelas falhas de nós conforme os escritos” // mais literariamente: “que Cristo morreu pelas nossas faltas conforme as escrituras). Isto é qualquer coisa que remonta aos anos 30 e que depois viria a ser registado nos Evangelhos. Ver Jo 14:6: λέγει αὐτῷ [] Ἰησοῦς, ἐγώ εἰμι ὁδὸς καὶ ἀλήθεια καὶ ζωή· οὐδεὶς ἔρχεται πρὸς τὸν πατέρα εἰ μὴ δι' ἐμοῦ. (“disse-lhe Jesus: eu sou o caminho e a verdade e a vida. Ninguém irá até [ἔρχεται πρός] ao pai se não através de mim [δι' ἐμοῦ]”). Ver Catecismo, ponto 1953: “A lei moral encontra em Cristo a sua plenitude e unidade. Jesus Cristo é, em pessoa, o caminho da perfeição. Ele é o fim da lei, porque só Ele ensina e confere a justiça de Deus: «O fim da Lei é Cristo, para a justificação de todo o crente» (Rm 10, 4).”
Ver Act 4:12: καὶ οὐκ ἔστιν ἐν ἄλλῳ οὐδενὶ σωτηρία οὐδὲ γὰρ ὄνομά ἐστιν ἕτερον π τὸν οὐρανὸν τὸ δεδομένον ἐν ἀνθρώποις ἐν δεῖ σωθῆναι ἡμᾶς. (“e não há em nenhum outro a salvação, nem mesmo há outro nome sob o sol, que tenha sido dado entre os humanos, no qual devamos ser salvos”).

Jesus não é um de entre outros caminhos válidos, ele é O único. Também não acontece que esteja aí no mundo um caminho adequado ao humano, e Jesus seja apenas um sinal, apenas um mapa. Não. Jesus É o caminho. Não há caminho sem ele.

Mas não nego que existam textos dúbios. Ver Act 17:30: τοὺς μὲν οὖν χρόνους τῆς ἀγνοίας περιδὼν θεὸς, τὰ νῦν παραγγέλλει τοῖς ἀνθρώποις πάντας πανταχοῦ μετανοεῖν,[…]. (“então, Deus, olhando por cima dos tempos de ignorância, agora manda que todos os humanos por todo o lado mudem” – este verso é muito discutível porque não é claro o que se quer dizer por περιδών, do verbo εἶδον, olhar/ver, e que à letra é olhar por cima, isto é, como no inglês, overlook – ora, isto tanto pode ser indicativo de que Deus não deu importância aos tempos de ignorância, permitindo que todos se salvassem, como pode significar precisamente o contrário, que antes não foi dada possibilidade de salvação; note-se que μετανοεῖν é mudar de pensamento, alterar a forma de compreensão, sendo que o substantivo correspondente, μετάνοια, foi tradicionalmente traduzido por paenitentia, isto é, penitência. As bíblias modernas acham por bem traduzir por arrependimento, o que é, obviamente, estupidez; devo dizer ainda que o termo que traduzo por ignorância, ἄγνοια, quer dizer à letra sem compreensão; assim, o que o grego está literalmente a dizer é: o deus supervisionando os tempos de falta de compreensão, agora manda a todos os humanos por todo o lado que alterem o seu modo de compreender). Não é, no entanto, claro que com isto se esteja a dizer que todos os que viveram antes de Jesus, em tempos de ignorância, estão salvos automaticamente. Aliás, não é claro de todo o que significa este verso, a não ser que houve um tempo sem compreensão adequada das coisas, e que agora é tempo de adquirir uma compreensão (adequada).
Esta discussão, e também o facto de que ela se verificou desde os primeiros tempos do cristianismo, encontra-se bem representada em Rom 3. Todo este capítulo é fantástico e recomendo a sua leitura. Sobretudo os versículos 23-26. Sobre isto e sobre o facto de haver discussão entre os primeiros cristãos sobre a possibilidade de salvação dos seus entes queridos que morreram antes de Jesus ver A Evolução de Deus, de Robert Wright, pag. 357 em diante.

Claro que há passagens em que Cristo aparece antes de Cristo. Cristo, não o Verbo! Ver 1 Cor 10: 4: καὶ πάντες τὸ αὐτὸ πνευματικὸν πιον πόμα· πινον γὰρ ἐκ πνευματικῆς ἀκολουθούσης πέτρας, πέτρα δὲ ἦν Χριστός. (“e todos tomaram da mesma bebida espiritual: beberam de facto da pedra espiritual que os seguia, mas a pedra era o Cristo”). Paulo está aqui a falar dos antepassados dos judeus e da passagem do Mar Vermelho, ou seja, acontecimentos muitos séculos anteriores a Jesus.

Portanto, as escrituras parecem convergir, salvo raríssimas excepções duvidosas, neste ponto: apenas Cristo salva.

E nem sempre se sabe muito bem como procede nesse salvamento. Ver Rom 9:15-16: τῷ Μωϋσεῖ γὰρ λέγει· ἐλεήσω ὃν ἂν ἐλεῶ καὶ οἰκτιρήσω ὃν ἂν οἰκτίρω. ἄρα οὖν οὐ τοῦ θέλοντος οὐδὲ τοῦ τρέχοντος ἀλλὰ τοῦ ἐλεῶντος θεοῦ. (“Portanto, [Deus] disse a Moisés: serei misericordioso com quem eu for misericordioso e serei compassivo com quem eu for compassivo. Logo, não [depende] daquele que quer nem daquele que corre, mas de deus que é compassivo”, ou seja, Deus será misericordioso e compassivo com quem bem entender, logo, não depende do que se queira nem do que se faça, mas de Deus).

Aos cristãos do início da era cristã interessava saber se os seus entes já mortos ainda se poderiam salvar. E é isso que é discutido nos textos. Por outro lado, o que perguntamos é se, para a Religião Católica, esse salvamento é possível. Não perguntamos segundo as escrituras, o que implicaria a nossa interpretação pessoal desses escritos, mas sim segundo a Religião Católica.

A ideia perpassa toda a história da Igreja: apesar de o humano ter sido criado para a imortalidade, apenas a morte e ressurreição de Jesus cria a possibilidade autêntica do ser homem permitindo-lhe encontrar o seu lugar próprio e imortalidade em comunhão com Deus. Ver, por exemplo, Tertuliano, De resurrectione mortuorum, 51, 3: “confiai, carne e sangue! Graças a Cristo adquiristes um lugar no Céu e no Reino de Deus”.

Então, segundo o catolicismo os homens que viveram antes de Cristo podem salvar-se? Se sim, isso aconteceu apenas aos Patriarcas da tradição judaica, ou também outros homens se puderam salvar? E podem salvar-se os homens que viveram sem ouvirem falar de Cristo, nem da Lei de Moisés, nem da tradição de Abraão?

Segundo o Catolicismo (ver as citações do Catecismo que fiz), só através de Cristo há salvação. Não enquanto Verbo, mas enquanto Jesus. Ver Cidade de Deus, de Santo Agostinho, vol. II, livro IX, cap. XV: “o acesso ao bem único” só é possível mediante “o Verbo incriado”, no entanto, “não é enquanto Verbo que ele é mediador, […]. Ele é mediador enquanto homem.”

Ver Catecismo, ponto 1258: “A Igreja não conhece outro meio senão o Baptismo para garantir a entrada na bem-aventurança eterna.”

Mas há algumas excepções feitas ao ponto.

A excepção de quem morre pela fé. Ponto 1258: “Desde sempre, a Igreja tem a firme convicção de que aqueles que sofrem a morte por causa da fé, sem terem recebido o Baptismo, são baptizados pela sua morte por Cristo e com Cristo. Este Baptismo de sangue, tal como o desejo do Baptismo ou Baptismo de desejo, produz os frutos do Baptismo, apesar de não ser sacramento.” Ver  Cidade de Deus, Vol. I, livro XIII, cap. VII.

A excepção de quem anda a fazer a via do baptismo mas morre antes de o consumar. Ponto 1259: “Para os catecúmenos que morrem antes do Baptismo, o seu desejo explícito de o receber, unido ao arrependimento dos seus pecados e à caridade, garante-lhes a salvação, que não puderam receber pelo sacramento.”

A excepção de quem vive como supõe ser a vontade de Deus. 1260: “Todo o homem que, na ignorância do Evangelho de Cristo e da sua Igreja, procura a verdade e faz a vontade de Deus conforme o conhecimento que dela tem, pode salvar-se. Podemos supor que tais pessoas teriam desejado explicitamente o Baptismo se dele tivessem conhecido a necessidade.” Ver Cidade de Deus, Vol. I, livro X, cap. XXV. Os Profetas que, no tempo da Lei ou mesmo antes da Lei (de Moisés), antes de verem a Cristo esperavam Cristo, salvaram-se no ministério (sacramentum) de Cristo e na fé. Claro que, como já referido, não é claro que em todos os povos exista um entendimento semelhante ao cristão sobre o que seja vontade de Deus.

A excepção dos recém-nascidos. 1261: “Quanto às crianças que morrem sem  Baptismo, a Igreja não pode senão confiá-las à misericórdia de Deus.” Este ponto deriva dos esforços de João Paulo II para “reabilitar” a salvação das almas dos recém-nascidos. Na Internet há imensa bibliografia sobre o assunto (limbus puerorum). A tradição tendeu a supor que as crianças não baptizadas iriam para o limbo. A discussão teológica está em saber se o pecado original condena o nado-morto ou não. Ver, por exemplo, http://www.catholicculture.org/culture/library/view.cfm?id=7529&CFID=6920012&CFTOKEN=53774096 e Essays in Apologetics, Volume II: Arguments Directed to Non-Catholics (eBook): “Description: In October of 2004, Pope John Paul II assigned to the International Theological Commission the task of studying the question of the possibility for salvation of unbaptized infants, including the commonly-held theological concept of Limbo, and previous teachings of the Church on this subject.”
Segundo a tradição popular os nados-mortos transformar-se-iam em anjos. Obviamente, nada de oficial existe neste sentido.


Ora, nos primeiros anos da cristandade era difícil aceitar que os homens que eram o símbolo da religião judaica não fossem salvos, quando foram eles os fundadores daquilo que os primeiros cristãos ainda assumiam como sendo a sua própria religião. Como poderiam Abraão, Noé e Moisés ter-se perdido se foram eles os chamados por Deus para propagar a Sua vontade?

A juntar a essas dúvidas, os relatos dos últimos dias de Jesus na terra deixavam dúvidas, sobretudo após os acrescentos que incluíam a ressurreição (os relatos da ressurreição não constam nos manuscritos mais antigos, como é aceite pelos próprios Capuchinhos em nota à tradução de Marcos, de 1993, e por todos os estudiosos[1]). Em Lc 23:43 (ver também Mt 27:32-44; Mc 15:21-32; Jo 19:17-27) pode ler-se: καὶ εἶπεν αὐτῷ· ἀμήν σοι λέγω, σήμερον μετἐμοῦ ἔσῃ ἐν τῷ παραδείσῳ. (“E [Jesus] disse-lhe: em verdade [μήν, amén] te digo, hoje comigo estarás no paraíso [παράδεισος, paradeisos].” Jesus diz ao criminoso que está crucificado com ele que estarão juntos no paraíso naquele mesmo dia. Mas, em Jo 30:17 (ver também Mt 28:8-10; Mc 16:9-11) lê-se: λέγει αὐτῇ Ἰησοῦς· μή μου πτου, οὔπω γὰρ ἀναβέβηκα πρὸς τὸν πατέρα· (“disse-lhe Jesus: não me toques, pois ainda não ascendi até ao pai”). Ou seja, após a ressurreição Jesus afirma que ainda não subiu até ao pai, o que é entendido como não tendo subido ao Céu. No entanto, Jesus dissera antes da própria morte que naquele mesmo dia estaria com o criminoso num lugar a que dá o nome de παράδεισος (termo de origem persa que significava jardim fechado, parque, lugar de prazer e deleite). Estas passagens são todas muito difíceis de interpretar. O que é “hoje”? O que é “paraíso”? O que é “subir até ao pai”? De qualquer modo, ficou a ideia de que poderia existir mais do que um lugar onde os justos poderiam residir. Ficou também a ideia de que aquele que morre antes da ressurreição de Cristo não vai para o lugar que Jesus refere na expressão “até ao pai”. Isto é, em resumo passa a ideia de que o lugar para onde vai o criminoso, ainda que seja um lugar destinado aos justo, não é o mesmo lugar para onde Cristo se encaminhará após a ressurreição e onde o Pai está presente.

Depois há a passagem também muito difícil de Lc 16:19-31. Há aqui um Lázaro e um rico que morrem. Lázaro vai para junto de Abraão e o rico vai para o Ἅιδης, Hades. No Hades (ἐν τῷ ᾅδῃ) consegue ver Abraão e Lázaro… Aparentemente estão todos no mesmo lugar, mas uns não podem chegar aos outros devido à grandeza da distância (μάκροθεν) que os separa. Mas Abraão e Lázaro parecem estar bem e descontraídos enquanto o rico se mostra desagradado com a sua sorte. Parece que o rico está num lugar de sofrimento e Lázaro num lugar apreciável.

Há ainda 1 Ped 3:19 que afirma que Jesus foi pregar aos espíritos sob custódia, isto é, presos (καὶ τοῖς ἐν φυλακῇ πνεύμασιν πορευθεὶς ἐκήρυξεν). Estes espíritos, diz-se no verso 20, eram por vezes desobedientes no tempo de Noé, tempos em que Deus esperava na sua grandeza de coração (μακροθυμία, paciência – literalmente: longo-desejo). Estranho é isto: foi Jesus pregar aos espíritos do tempo de Noé? Noé é anterior à Lei. É o tempo em que Deus era paciente… tudo isto é estranho. Sobretudo o facto de Jesus ir pregar aos mortos!

Ora bem, os teólogos, como por exemplo, Pearlman, acreditam que Jesus foi libertar os Santos do Antigo Testamento. Não só os Profetas que, por já esperarem Cristo, se salvariam, mas também todos os Patriarcas.

Estas ideias parecem-nos estranhas (a mim parecem), mas a verdade é que isto pertence à fé desde o Concílio de Trento (ver Decretum de iustificatione) e está no Catecismo oficial:
“512. Relativamente à vida de Cristo, o Símbolo da Fé apenas fala dos mistérios da Encarnação (conceição e nascimento) e da Páscoa (paixão, crucifixão, morte, sepultura, descida à mansão dos mortos, ressurreição, ascensão).”

O Credo Pequeno, Símbolo da Fé dos Apóstolos, diz, de facto: “padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia”.

632. As frequentes afirmações do Novo Testamento, segundo as quais Jesus «ressuscitou de entre os mortos» (1 Cor 15, 20) (528), pressupõem que, anteriormente à ressurreição, Ele tenha estado na mansão dos mortos (529), este o sentido primeiro dado pela pregação apostólica à descida de Jesus à mansão dos mortos: Jesus conheceu a morte, como todos os homens, e foi ter com eles à morada dos mortos. Porém, desceu lá como salvador proclamando a Boa-Nova aos espíritos que ali estavam prisioneiros (530).
633. A morada dos mortos, a que Cristo morto desceu, é chamada pela Escritura os infernos, Sheol ou Hades (531), porque aqueles que aí se encontravam estavam privados da visão de Deus (532). Tal era o caso de todos os mortos, maus ou justos, enquanto esperavam o Redentor (533), o que não quer dizer que a sua sorte fosse idêntica, como Jesus mostra na parábola do pobre Lázaro, recebido no «seio de Abraão» (534). «Foram precisamente essas almas santas, que esperavam o seu libertador no seio de Abraão, que Jesus Cristo libertou quando desceu à mansão dos mortos» (535). Jesus não desceu à mansão dos mortos para de lá libertar os condenados (536), nem para abolir o inferno da condenação (537), mas para libertar os justos que O tinham precedido (538).
634. «A Boa-Nova foi igualmente anunciada aos mortos...» (1 Pe 4, 6). A descida à mansão dos mortos é o cumprimento, até à plenitude, do anúncio evangélico da salvação. É a última fase da missão messiânica de Jesus, fase condensada no tempo, mas imensamente vasta no seu significado real de extensão da obra redentora a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares, porque todos aqueles que se salvaram se tornaram participantes da redenção.”

Como se vê, ninguém antes de Jesus pudera ser salvo. Mesmo aqueles que podem ser chamados justos e que eram almas santas, estavam aí, no Hades, no mesmo sítio onde estavam os maus. E foi Jesus que lá os foi resgatar.

Ou seja, ninguém foi para o céu antes de Jesus nascer. Ver ainda a Divina Comédia, de Dante, que retrata este aspecto no Canto IV.

A este local chamou-se pela tradição Limbo dos Patriarcas (limbus patrum), precisamente porque era o limbo em que estavam os Patriarcas do Judaísmo.


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Outros pontos do Catecismo que me suscitam interesse


Note-se o ponto 553:
553. Jesus confiou a Pedro uma autoridade específica: «Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desligares na terra será desligado nos céus» (Mt 16, 19). 
Por Pedro entende-se o Papa, como seu sucessor. Pedro é “o único a quem confiou explicitamente as chaves do Reino”. No entanto, ao longo da história o Papa decidiu abrir as portas do céu em nome de favores políticos ou económicos. É legítimo perguntar: se o Papa detém explicitamente as chaves do Reino de Deus, e se tudo o que ele faz na terra é reconhecido nos céus, isso significa que todos esses actos que envergonham hoje a Igreja foram respeitados no Reino dos céus? Se assim é, então de facto venderam-se lugares no céu.

O MAGISTÉRIO DA IGREJA
85. «O encargo de interpretar autenticamente a Palavra de Deus, escrita ou contida na Tradição, foi confiado só ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo (51), isto é, aos bispos em comunhão com o sucessor de Pedro, o bispo de Roma.

Note-se que por “em comunhão” entende-se aqueles que não foram excomungados pelo sucessor de Pedro. Isto é, o ponto 85 não significa que o Papa deve interpretar em conjunto com os Bispos, mas sim que a interpretação de um Bispo em particular apenas é “válida” se esse Bispo estiver em comunhão com o Papa.

OS DOGMAS DA FÉ
88. O Magistério da Igreja faz pleno uso da autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando propõe, dum modo que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, verdades contidas na Revelação divina ou quando propõe, de modo definitivo, verdades que tenham com elas um nexo necessário.

Quando o Papa (“Magistério da Igreja”) define um dogma a adesão é obrigatória. A não adesão a um dogma de fé, definido pelo Papa como tal, significa que não se é parte do povo cristão, e tem efeitos de excomunhão caso se venha a comprovar. O Dogma da infalibilidade pontifícia é declarado em 1870 no concílio Vaticano I. Ver também a Constituição Dogmática Lumen gentium, cap. III, 18: “Este sagrado Concílio propõe de novo, para ser firmemente acreditada por todos os fiéis, esta doutrina sobre a instituição perpétua, alcance e natureza do sagrado primado do Pontífice romano e do seu magistério infalível […]”.

Os pontos 192 a 196 definem o Símbolo dos Apóstolos (conhecido como credo pequeno) como resumo fundamental da fé e o Símbolo de Niceia-Constantinopla (Credo de Niceia-Constantinopla) como complementar. Por outro lado, diz que os restantes Símbolos, isto é, credos elaborados ao longo da História, não estão ultrapassados: “Nenhum dos símbolos dos diferentes períodos da vida da Igreja pode ser considerado ultrapassado ou inútil.” Apesar de tudo, é o de Niceia-Constantinopla que apresenta mais conteúdo e é mais objecto de discussão entre teólogos de diferentes Igrejas.


266. «Fides autem catholica haec est, ut unum Deum in Trinitate, et Trinitatem in unitate veneremur, neque confundentes personas, neque substantiam sepa-raptes; alia enim est persona Patris, alia Filii, alia Spiritus Sancti: sed Patris et Filii et Spiritus Sancti una est divinitas, aequalis gloria, coaeterna majestas (88) – A fé católica é esta: venerarmos um só Deus na Trindade e a Trindade na unidade, sem confudir as Pessoas nem dividir a substância: porque uma é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas do Pai e do Filho e do Espírito Santo é só uma a divindade, igual a glória e coeterna a majestade».
267Inseparáveis no que são, as pessoas divinas são também inseparáveis no que fazem. Mas, na operação divina única, cada uma manifesta o que Lhe é próprio na Trindade, sobretudo nas missões divinas da Encarnação do Filho e do dom do Espírito Santo.


Agora especial atenção para o seguinte ponto. Aqui diz-se para que é que o mundo foi criado.
319Deus criou o mundo para manifestar e comunicar a sua glória. Que as criaturas partilhem da sua verdade, da sua bondade e da sua beleza – eis a glória, para a qual Deus as criou.

O mundo foi criado para “glória” de Deus. Depois esclarece-se convenientemente que glória significa partilhar a verdade, a bondade e a beleza de Deus. Mas, então, e o Mal?

324. A permissão divina do mal físico e do mal moral é um mistério, que Deus esclarece por seu Filho Jesus Cristo, morto e ressuscitado para vencer o mal. A fé dá-nos a certeza de que Deus não permitiria o mal, se do próprio mal não fizesse sair o bem, por caminhos que só na vida eterna conheceremos plenamente.

Ou seja: não sabemos explicar o mal, nem o físico nem o moral, excepto pela assumpção de que “na vida eterna” viremos a ser esclarecidos. Mas, mais à frente, diz-se: “338. Nada existe que não deva a sua existência a Deus Criador”. Nada existe, nem sequer o mal, que não deva a sua existência a Deus.

328. A existência dos seres espirituais, não-corporais, a que a Sagrada Escritura habitualmente chama anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura é tão claro como a unanimidade da Tradição.

510Maria permaneceu «Virgem ao conceber o seu Filho, Virgem ao dá-Lo à luz, Virgem grávida, Virgem fecunda, Virgem perpétua» (183); com todo o seu ser; ela é a «serva do Senhor» (Lc 1, 38).

Note-se que Maria é considerada virgem mesmo depois de dar à luz e para sempre, apesar dos irmãos que Jesus teve. É importante porque para os Judeus, como para todos os povos antigos, a virgindade tinha que ver com o rompimento do hímen. O que era estranho em Maria não era tanto a imaculada concepção, mas sim que tivesse permanecido virgem mesmo depois de dar à luz. A virgindade de Maria foi defendida, pelo menos, desde Santo Agostinho (ver a nota 183 ao ponto 510 do Catecismo, bem como a De sancta virginitate). No entanto, apenas em 1854 foi tornado dogma, a 8 de Dezembro, pela bula Ineffabilis Deus (portanto, antes da própria definição da infalibilidade pontifícia em 1870). E em 1950, já recorrendo à infalibilidade, o Papa Pio XII proclama a Assumpção da Virgem em corpo e alma ao céu – o que é algo diferente da simples virgindade. Ver A renovação da teologia e do culto marianos, Sylvie Barnay, In História do Cristianismo, dir. Alain Corbin. O concílio Vaticano II reafirma e reforça o dogma da virgindade de Maria (ver constituição dogmática Lumen Gentium).
A virgindade de Maria aparece nas escrituras, mas é, provavelmente, uma ideia derivada de um erro de tradução. É que nos tempos de Jesus as escrituras eram lidas não no original hebraico nem no aramaico corrente, mas sobretudo em grego, segundo a tradução dos Setenta (Septuaginta). Aqui, na Septuaginta, a palavra hebraica העלמה, ha'almah, a jovem, é vertida para  παρθένος, a virgem. Era esta a versão conhecida por Marcos, Mateus, Lucas, João, Paulo, até mesmo Santo Agostinho séculos depois lia o grego e não o hebraico. Comparar a respeito disto Isaías 7:14, Mateus 1:23 e Lucas 1:24. Discuto isto em http://discutirfilosofiaonline.blogspot.pt/2012/04/virgem-ou-jovem-isaias-147.html. Como se pode ver se se fizer a comparação, Mateus está claramente a citar Isaías a partir do texto da Septuaginta, e este texto que anuncia Emmanuel afirma, na tradução grega, que este nasceria de uma virgem. Mas o que está no original não é uma virgem, mas uma jovem mulher.


Proponho ainda a leitura do Manual das Indulgências. Está na Net e publicado em vários idiomas.




[1] Os manuscritos dos evangelhos mais antigos são relativos a São Marcos e só apresentam o texto até 16:8. Os versos 9-20 não existem nos testemunhos mais antigos (ver The Greek New Testament, fourth revisited edition, para confirmar todos os manuscritos que possuem e não possuem esses versos, bem como a datação dos mesmos – os manuscritos de Eusebius, Epiphanius, Hesychius (?) e Jerónimo, que já apresentam esta parte, são já de Padres da Igreja e estamos a falar de qualquer coisa como do século IV). Os relatos mais antigos da ressurreição não estão nos textos sobre Jesus (Evangelhos e Actos dos Apóstolos), mas sim em Paulo (ver 1 Cor 15:3-8). Os historiadores consideram, regra geral, que a ressurreição não faz parte da vida histórica de Jesus (ver, por exemplo, A verdadeira História de Jesus, Sanders, ed. notícias, 4ª ed (2004), p. 343 e seg.; A Vida de Jesus, Ernest Renan, Vida Editores, p. 250; Jesus de Nazaré, Joachim Gnilka, Ed. Presença, 1ª ed., p. 302). Teologicamente, a ressurreição é fundamental e não pode ser posta em dúvida.

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