quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Pessoas más podem ser bons profissionais e podem ser mais felizes do que as boas pessoas

A propósito de ilusões...

Uma má pessoa pode ser, simultaneamente, um excelente profissional.
Uma má pessoa pode ser, simultaneamente, feliz.

Uma má pessoa terá mais facilidade em percorrer o caminho que a levará a tornar-se num bom profissional.
Uma má pessoa encontrará menos dificuldades em alcançar aquilo que a fará feliz.

A ideia de que uma pessoa má nunca pode ser um bom profissional é como a ideia de que uma vida moralmente má nunca pode ser boa de viver, ou a de que uma má pessoa não pode ser feliz... ou seja, são uma perfeita parvoíce, uma mentira, uma ilusão perniciosa... Estas ideias contradizem a razão e a experiência, e só por um enorme desejo de auto-engano pode o senso-comum dizer tal coisa.

Sobre isso, ouçamos Frankfurt:
«It is possible, I am sorry to reveal, that immoral lives may be good to live. […] Unless a person cares about being moral, or about something that depends on being moral, being moral will not make his life better for him.» 
E, MUITO IMPORTANTE: «It will not be reasonable for him to do what he is morally obliged to so, or to care that his conduct fails to meet the requirements of the moral law.»


Aliás, o próprio Kant diz exactamente a mesma coisa, em vários sítios - a única diferença é que ele pensa que todos os seres humanos se preocupam com a moralidade. Basicamente, para Kant um psicopata não é humano. Mas já Kant assumia: um ser em que não houvesse móbil ético jamais poderia ter qualquer consciência moral - e, por isso, o mal moral não lhe causaria qualquer repulsa.
ERGO, um sujeito pode ser uma besta e ser feliz. Arendt vai ainda mais longe e afirma que só uma pessoa realmente má pode ser completamente feliz, porque a sua consciência não a incomodará.

Como é evidente, uma pessoa má, não só pode ser um bom profissional, como estará em melhor condições para ser um bom profissional, visto que não será distraído dos seus fins subjectivos pelos requisitos da lei moral.
Por isso mesmo, onde há mais psicopatas é entre os profissionais de topo e nas cadeias...

«Proportion of psychopath corporate executives 'similar to prison population'»

«Até 3,9% dos executivos de empresas podem ser psicopatas, [...]. Uma taxa de psicopatia 4 vezes maior do que na população em geral.»

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