quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Para reflectir, do Evangelho Segundo São Mateus

A propósito de portas, de perdição e de vida...


Mateus 7:13-14
13 Εἰσέλθατε διὰ τῆς στενῆς πύλης· ὅτι πλατεῖα ἡ πύλη καὶ εὐρύχωρος ἡ ὁδὸς ἡ ἀπάγουσα εἰς τὴν ἀπώλειαν καὶ πολλοί εἰσιν οἱ εἰσερχόμενοι δι’ αὐτῆς· 14 τί στενὴ ἡ πύλη καὶ τεθλιμμένη ἡ ὁδὸς ἡ ἀπάγουσα εἰς τὴν ζωήν καὶ ὀλίγοι εἰσὶν οἱ εὑρίσκοντες αὐτήν.

13 Entrai pela porta estreita: pois larga é a porta e bem espaçoso o caminho que leva à perdição e muitos são os que entram por eles. 14 E estreita é a porta e apertado o caminho que leva à vida e poucos são os que o encontram.

"Entrai pela porta estreita".

Parece que temos à nossa disposição diversas possibilidades de ser. Uma ou outra vez na vida encontramo-nos como a criança que descobre numa manhã primaveril que pode ser o que quiser. 

Essa não é uma descoberta de pouca monta. Pobre o adulto que julga puerilmente que isso é uma ilusão: porque esse adulto ainda não começou a poder compreender a amplitude da sua própria ilusão. Porque não é disso (que ele julga) que fala a criança que descobre de repente que pode ser tudo.

Julga o adulto que está firme e seguro na sua plataforma de onde aponta ferozmente a fragilidade do ponto de vista infantil...

Parece que temos diversas possibilidades de ser e têmo-las por nossas, adquiridas. E queremos muitas. Somos felizes quando podemos parar diante de muitas portas e considerá-las por gozo e gabarolice... Queremos tempo para nos ufanarmos junto dos nossos amigos e comparsas. Como uma criança que tem um brinquedo novo e o leva para casa dos amigos como passaporte para ser, por um dia, a estrela. Pobre o adulto que admoesta nessa criança a ingenuidade com que os seus olhos brilham. Porque esse adulto ainda não começou a compreender a sua própria burrice.

Mas não! Não é assim como pensa o adulto que se comporta como uma criança. Não!

"Entrai pela porta estreita" - e parece que ela está aí, que podemos qualquer dia, quando vagar nos sobrar, empreender escarpa acima, estreiteza fora, de armas e bagagens, rumo à vida. Mas não. O adulto é ainda uma criança que não quer fazer hoje o que pode também não fazer amanhã... E pobre desse adulto que ralha com a criança cortando-lhe a diversão e matando-lhe a brincadeira! Porque esse adulto não compreendeu ainda onde ele próprio está.

Um dia quererá abrir a porta estreita e fazer o caminho apertado e então talvez perceba que durante todo o tempo de vida não encontrou vagar para encontrar essa que seria a porta da vida. Então, só então, perceberá a dificuldade que o evangelista enuncia: 

- Não é que tenhamos a porta da vida escancarada e escolhamos a outra, mais larga! Não! Não é que vejamos claramente o caminho certo e o deixemos ficar lá para seguir pelo caminho da perdição. O ponto é precisamente outro:  "poucos são os que o encontram". 

O evangelista não diz: ide pelo caminho da vida e deixai o caminho da perdição.

O evangelista diz: "Entrai pela porta estreita" mas "poucos são os que a encontram".

Então, se um dia lhe bater à porta da sua vida esta urgência talvez o adulto perceba a que nível elevou a própria estupidez quando admoestou a criança, quando procurou instilar nela sensatez, quando pretendeu dar-lhe o que nunca adquirira para si próprio.


Há um filme em que um assassino rapta o filho de um polícia e diz-lhe que, para reaver o filho são e salvo tem apenas de ter a paciência de não sair da sala de operações... O polícia-pai inquieta-se, não suporta a impaciência, descobre onde está o filho e vai lá com toda a polícia e todas as armas de fogo. Uma vez lá percebe que o filho estava dentro de um cofre na sala de operações - e que, devido ao facto de ter abandonado a sala de operações, o seu filho já morreu.

Bastava-lhe a paciência de ter ficado ali.

2 comentários:

  1. rapaz, me desculpe mas eu não entendi seu objetivo nesse post, poderia me explicar melhor? e por favor me diz o nome do filme citado para eu não assistí-lo.
    obrigado

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  2. O objectivo do post é reflectir. Reflectir precisamente no facto de a porta da perdição ser fácil, espaçosa e por lá muitos entrarem... a questão pode ser reconduzida ao episódio da ilha de Calipso, ou ao Cypher do Matrix... ou ai Admirável mundo novo de Aldous Huxley...

    O filme é uma das sequelas do Saw.

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discutindo filosofia...

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