quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Da impossibilidade de provar a existência de Deus



Mas se quando falo de provar a existência de Deus eu quero dizer que me proponho provar que o Desconhecido, o qual existe, é o Deus, então eu expresso-me de forma infeliz. Pois nesse caso não provo nada, muito menos uma existência, mas apenas desenvolvo o conteúdo de um conceito. De modo geral, é uma coisa complicada provar que uma coisa existe; e, o que é ainda pior para a alma intrépida que empr
eende essa aventura, a dificuldade é de tal ordem que raramente a fama aguarda por esses que se preocupam com isso. A demonstração transforma-se sempre em qualquer coisa muito diferente, e torna-se um desenvolvimento adicional das consequências que se seguem do facto de eu ter assumido que esse objecto em questão existe.





[...] mas quem quer que diga no seu coração ou a um homem: "Espera apenas um pouco e eu provarei [a existência de Deus]" - que raro homem de sabedoria ele é! Se no momento de começar a sua prova não está absolutamente indeterminado se Deus existe ou não, ele não o prova; e se isso está dessa forma indeterminado no começo, ele nunca chegará a começar, em parte pelo receio de falhar, dado que Deus talvez não exista, e em parte porque ele não tem nada com que começar.

Kierkegaard (Johannes Climacus), Philosophical Fragments








Atenção: a tradução anterior é indirecta - por favor, confronte com a tradução inglesa





 But if when I speak of proving the God’s existence I mean that I propose to prove that the Unknown, which exists, is the God, then I express myself unfortunately. For in that case I do not prove anything, least of all an existence, but merely develop the content of a conception. Generally speaking, it is a difficult matter to prove that anything exists; and what is still worse for the intrepid souls who undertake the venture, the difficulty is such that fame scarcely awaits those who concern themselves with it. The entire demonstration always turns into something very different and becomes an additional development of the consequences that flow from my having assumed that the object in question exists.





[...]but whoever says in his heart or to men: Wait just a little and I will prove it -- what a rare man of wisdom is he!3 If in the moment of beginning his proof it is not absolutely undetermined whether the God exists or not, he does not prove it; and if it is thus undetermined in the beginning he will never come to begin, partly from fear of failure, since the God perhaps does not exist, and partly because he has nothing with which to begin.





Originally published by Princeton University Press, Princeton, New Jersey in 1936. Translated by David F. Swenson, translation revised by Howard V. Hong.

2 comentários:

  1. OK um erro em comum nas pessoas(pode não ter sido esse o caso aqui). Deus com "D" se refere exclusivamente ao deus Judaico-Cristão, que de tanto ser chamado de Deus acabou virando um nome. Quando se vai falar de outra divindade, ou mesmo da idéia de uma divindade deve-se escrever deus com "d".
    E por favor, POR FAVOR!! traduz o texto antes de postá-lo aqui.

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    1. Como sabe a ideia de que "Deus" se escreve com maiúscula é recente. Antigamente sabia-se que a "grandeza" de Deus não se mede numa letra, nem numa regra ortográfica. O texto que coloco em inglês está traduzido em cima. Infelizmente, o próprio inglês é uma tradução. Ainda mais infelizmente, não sei ler Dinamarquês, que é a língua do original...

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discutindo filosofia...

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