sábado, 15 de fevereiro de 2014

A categoria do gosto é a imersão

A propósito de imersão

Pois é! Supõe-se, habitualmente, que os homens gostam das coisas porque elas os instam a pensar! Poder-se-ia pensar que ninguém acreditasse que uma pessoa se sentisse atraída por algo não por causa da coisa mas porque a coisa faz pensar... No entanto, é frequente ouvir coisas destas: "ah, e gostamos deste quadro porque ele nos faz pensar", ou "o homem gosta de admirar arte porque esta o faz pensar e lhe permite viajar no pensamento"...

É um equívoco. O que o homem primeiro admira é aquilo em que pode absorver-se, desaparecer. A categoria do gosto é a IMERSÃO.

Portanto, sempre que alguém pergunta a um sujeito por que é que ele gosta disto ou daquilo e ele começa a arranjar justificações percebemos que entrou em funcionamento mais uma ilusão, porque o homem não quer admitir que gosta sobretudo daquilo em que ele mesmo pode desaparecer. E isto é tanto assim que até mesmo o pensamento se pode tornar um processo em que o sujeito desaparece - e podemos confirmar isto sempre que alguém fala de si impessoalmente, fala da vida inumanamente, fala do homem desvitalizadamente! O pensamento de um homem pode ser a maior prova de que ele não gosta de pensar, e que abomina tanto pensar que até quando pensa desaparece do seu próprio pensamento.

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