quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

"O lobo de Wall Street" e a visão romântica da vida

A propósito de "O lobo de Wall Street"

"O lobo de Wall Street" é um filme (baseado na vida de Jordan Belfort) interessante.

Por que gostam as pessoas de finais felizes? As pessoas não gostam simplesmente de finais felizes - gostam de ver os bons felizes e os vilões infelizes.

As pessoas pensam assim: se alguém teve sucesso, é porque está certo. A vida de sucesso mostra, pelo seu sucesso, que está certa. Quem é que está certo? Aquele que tem sucesso. O insucesso mostra que essa pessoa estava errada.

As pessoas pensam assim: se uma personagem foi má, é má, deve acabar mal. Ou que, no final, deve mudar e tornar-se boa. Esta é a visão romântica que as pessoas habitualmente têm da vida. E querem que isso se plasme nos filmes.

Neste filme o agente de polícia honesto está pobre no final do filme - e tem um sucesso relativo. Na verdade, vêmo-lo a continuar a andar de metro. Essa é quase a única pessoa honesta que aparece no filme - e não podemos dizer que no seu final algo nos atraia para sermos como ele.

Jordan Belfort, pelo contrário, teve de tudo, quantidades obscenas de dinheiro, propriedades majestosas, consumiu todo o tipo de drogas, manteve a sua saúde, mesmo quando foi preso esteve numa ala de primeira classe, com campo de ténis e tudo, onde mais parecia que os guardas é que estavam presos... E o polícia honesto a andar de metro, com as suas dificuldades económicas...

As pessoas têm uma visão romântica da vida e querem que os filmes tenham uma visão romântica da vida. Mas pode muito bem acontecer que o honesto, justamente por ser honesto, nunca tenha sucesso. Pode acontecer que por um qualquer encadeamento de acontecimentos o honesto passe a sua vida em dificuldades, infeliz. Pode acontecer que o desonesto, justamente porque é desonesto, tenha muito sucesso. Pode acontecer que por um qualquer encadeamento de acontecimentos o desonesto seja muito feliz e uma vida de facilidades.

A visão romântica da vida, no entanto, é que o sucesso é critério existencial.

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