sábado, 25 de janeiro de 2014

As praxes como aprendizagem de vida

A propósito da tragédia na praia do Meco...

Chegou-se ao momento em que é perfeitamente possível considerar que uma praxe é experiência de vida! Humm... Suponho que um menino mimado da mamã, que depois foi um aluno mimado pelo deixa passar e deixa fazer do nosso sistema de ensino, pode ter vivido uma existência tão surreal e simultaneamente tão oca até à universidade, de tal modo que considere qualquer humilhação como a mais profunda, clarividente e vivificadora aprendizagem de vida! Uma pessoa que tenha tido uma vida demasiado limpinha pode, de facto, ser arrebatado pela ilusão de que a merda é a Verdade - tal como uma pessoa que foi toda a vida apaparicada pode deixar-se atolar pela ilusão de que a violência é a única prova de que se está realmente vivo! Não espanta, portanto, que os jovens ricos de hoje desenvolvam rituais de pura violência e de pura crueldade... Mas o enquadramento da praxe é antigo, e não espanta que um grupo de pessoas se deixe humilhar por uma pessoa, não nos deve espantar nada que seis pessoas - ou até cem mil - se deixem violentar por uma! É assim, o padrão é ser rancho. E ser rancho é hoje uma aprendizagem de vida! A única hierarquia é passar de humilhado a humilhador.

Isto é: hoje em dia tem-se habitualmente uma mentalidade de big brother - estou a ser visto, sou um ser que vive para ser visto, etc...

...o que é, justamente, a inversão da ideia antiga de que estamos permanentemente a ser vistos pela nossa própria consciência - ou que estamos permanentemente à vista de Deus...

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