sábado, 11 de janeiro de 2014

Consciência e sedução

A propósito de sedução...

Nós pensamos, amiúde, que somos capazes de saber onde está a tentação e que uma coisa nos seduz quando nos seduz. Este ponto é delicado porque, de alguma maneira, há sempre uma auto-ilusão em cada sedução, uma auto-decepção em cada tentação. Mas não devemos ir tão depressa onde custa muito a chegar - portanto, o que primeiramente deve ser notado é que pensamos, como é normal, que uma tentação nos chama para o mal, mas tende a escapar-nos a possibilidade elementar de desconhecermos o que é o mal. Assim, pode muito bem acontecer - e acontece de facto - que na maioria das vezes sejamos tentados porque algo que é um mal nos chama para ele, mas que nos passa ao lado que isso é um mal. E isto é assim, primeiramente, porque não sabemos, de facto, o que é o Bem - e depois isto é assim porque tendemos a pensar que aquilo que nos agrada é o Bem. Quer dizer - e é isto que é o decisivo: a tentação, pela sua natureza, é justamente aquilo que, de início e na maioria das vezes, nos parece ser, e nos aparece como um bem. E o que é difícil de início não é resistir à tentação - embora na maioria das vezes também seja realmente difícil resistir-lhe -, o que de início e na maioria das vezes é mais difícil é reconhecer o carácter de tentação daquilo que seduz - justamente porque seduz.

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