quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ver e medir - o colapso da função de onda

A propósito do significado de "ver" no mundo subatómico...

"Ver", no mundo subatómico, significa alterar o que é visto.

Não é possível "ver" de facto o mundo subatómico ou quântico. O mundo subatómico pode apenas ser medido. Os efeitos dos objectos subatómicos podem ser medidos.

"Ver", relativamente ao mundo subatómico, significa medir. Esta "medição" dos objectos subatómicos, como electrões, por exemplo, é sempre mediada.

Para vermos a olho nu, por exemplo, o nosso gato, precisamos que os fotões cumpram a sua função. Contudo, quando estamos a falar de objectos quânticos devemos ter em atenção que as alterações produzidas pelo processo de medição naquilo que se pretende medir são muito significativas. Para medirmos o momentum do electrão recorrendo ao fotão, devemos estar cientes de que quando o fotão colide com o electrão altera o comportamento deste.

"Ver", no mundo subatómico, é medir os efeitos de um objecto que se supõe ser a origem dos efeitos medidos. Mas jamais vimos esses objectos. Na verdade, não temos a certeza de que existam enquanto objectos-partículas. Estes objectos quânticos comportam-se habitualmente como ondas. Têm a característica de manifestarem trajectórias ondulatórias que, se as tentarmos medir, colapsam. O comportamento ondulatório não pode ser observado, pois a observação colapsa-o.

"Ver", observar e medir é o que, na mecânica quântica, provoca o colapso de uma função de onda caracterizada pela incerteza (um conjunto de posições equitativamente, ou não, possíveis). Ao tentarmos observar esta incerteza, a observação provoca o colapso dessa superposição (conjunto de possíveis) numa posição descritível classicamente.

"Ver" significa, no mundo quântico, um observar que altera o observado, mantendo-nos no domínio do indeterminístico. No mundo macroscópico, ver significa obter uma razoabilidade. Ver é mais que olhar, é conseguir aferir o que se passa, permitindo-nos obter dados com os quais predizemos eventos. No mundo subatómico domina a incerteza, e mesmo vendo não conseguimos elidir este facto.

"Ver" relaciona-se com as noções de "medição" e "colapso". Entretanto, estas noções são elas mesmas confusas e objecto de múltiplas versões interpretativas. Filósofos e Físicos multiplicam diferentes interpretações sobre o que significam e qual o estatuto ontológico e científico destas noções.

A interpretação de Copenhaga, que podemos associar a Bohr, parece ser mais comum entre os físicos quânticos, mas trata-se de uma interpretação não-intuitiva da realidade que o senso comum dificilmente aceita. Opõem-se-lhe muitos outros, mas podemos referir Einstein (talvez um dos "fundadores" da "quântica") e Schrödinger, os quais, apesar de tudo, preservam a ideia de regularidade intrínseca da natureza, a despeito da nossa dificuldade ou incapacidade para a decifrar na sua plenitude.

1 comentário:

  1. Olá, o que você acha da relação entre o big bang e um possível colapso da função do bóson de higgs? Acha que "deus" poderia ter observado a primeira partícula?

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