segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O gato de Schrödinger II

A propósito de, o electrão...

Bem, o que Schödinger tentou mostrar não foi a hipótese extraordinária dos gatos poderem estar vivos e mortos ao mesmo tempo. Ele utilizou o ridículo de uma tal assumpção para se referir à assumpção da existência de superestados ou superposições em que as partículas subatómicas se pudessem encontrar.

O termo superposição parece referir-se, em Física, às situações em que uma "partícula" subatómica deve ser considerada como estando em mais do que um estado ou ocupando mais do que um lugar, no mesmo instante. Há muitos exemplos que podem ser dados, mas o mais conhecido é o caso do electrão, o qual, num dado instante, pode estar a mover-se num ou noutro sentido em torno de um núcleo. Para se referirem aos electrões em torno de um núcleo os cientistas utilizam, por vezes, a noção de núvem. Núvem porque "não podemos" determinar em que ponto se encontra o electrão e temos de o admitir num conjunto de pontos, os quais, ao serem representados, aparentam uma núvem. (Entretanto, algumas palavras são colocadas entre comas, precisamente porque o seu significado e mesmo utilização é discutível e dúbio entre a comunidade científica.)

Ora, se o gato não pode estar simultaneamente vivo e morto, será que o electrão pode estar simultaneamente num conjunto "núvem" de pontos? Note-se que esta é uma questão científica, pois é uma pergunta empírica: dirige-se ao que nos aparece pelos sentidos e questiona um dado aparecimento, um fenómeno. Mas é simultaneamente uma questão filosófica/metafísica, pois, em última análise, questiona a própria essência da natureza. E é ainda uma questão filosófica/epistemológica, pois questiona a natureza e o modo de conhecimento válido: quais serão as implicações da admissão de que a matéria, na sua mais básica apresentação, é essencialmente indeterminável?

Continua em:
http://discutirfilosofiaonline.blogspot.com/2011/10/o-gato-de-schrodinger-iii.html

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