quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Fundamento moral

A propósito da impossibilidade de fundar a moral...

Encontrar um fundamento para a moral ou para a ética é tão impossível como encontrar o fundo do infinito. "Ah, então e a regra não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti?" Bem, com certeza toda a gente tem coisas que não gosta, mas não é evidente que aquilo que cada um não gosta que lhe façam a si seja o mesmo que não deva ser feito aos outros, tal como não é evidente que não haja coisas que não se devem fazer aos outros, mas que se gosta que nos façam.

Mas mesmo que todos gostássemos do mesmo, ainda assim o problema é outro, e é este: eu posso sempre perguntar por que raio não deveria fazer aos outros o que não gosto que me façam a mim. Pode ser evidente que não gosto que me façam algumas coisas, e que por isso evito que mas façam. Ou seja, há coisas que eu gosto de manter afastavas, gosto de evitar, mas isso não significa que não goste também, justamente, de as fazer aos outros. Ora, se o princípio da legitimidade está no que eu gosto ou não gosto, então é perfeitamente legítimo eu fazer aos outros o que eu gosto de lhes fazer, independentemente de gostar que me façam isso ou não!

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