sexta-feira, 4 de março de 2016

Podemos decidir os nossos fins?

A propósito do fim e dos meios

A questão parece ser a seguinte: 

- a qualidade moral de uma pessoa define-se pela 

1) sua fidelidade ao ideal que tem, ou pela

2) qualidade do ideal a que se vincula, ou 

3) pelos dois (pela fidelidade ao ideal e pela qualidade deste)?



Se 1) está correcto, então Rorty tem razão quando diz que um nazi pode ser uma pessoa tão boa como qualquer um de nós, visto que é tão fiel ao seu ideal como nós somos, simplesmente, aquilo que toma como bem/fim/ideal/categoria orientadora difere daquilo que nós usamos. 

Mas se 2) está correcto, então haveria de aferir se um sujeito tem, de facto, a possibilidade de determinar os seus próprios fins - o que, como se sabe, é muito complexo de avaliar, pois, à partida, parece que podemos decidir dos MEIOS QUE usamos, dos modos COMO prosseguimos, e da forma de vida EM QUE visamos os fins, mas não podemos decidir dos fins, visto que o fim é, justamente, o critério de decisão. O problema quanto à decisão dos fins coloca-se porque não parece haver meio de ter uma categoria como critério de deliberação senão, justamente, a do fim que se tem, seja ele qual for - o problema é, pelo menos, tão antigo como Aristóteles, e não me parece que tenhamos avançado muito depois dele. 

Mas se não admitirmos nem 2), nem 3), caímos no problema de Rorty: como podemos culpar os nazis por terem os fins que têm? Se somos sinceros ao dizer que não devemos julgar ninguém por aquilo em que acredita - como parece ser o caso - então não teremos de aplicar esse argumento também aos nazis e aos terroristas? Será que queremos mesmo admitir que não podemos condenar os terroristas e os nazis pelas crenças que têm?



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