terça-feira, 9 de setembro de 2014

Nicholas Winton e o silêncio

A propósito de baldes de água gelada e coisas afins...


Nicholas Winton trabalhava na bolsa, tinha dinheiro e uma vida confortável no Reino Unido.

Um dia decidiu usar os seus dias de férias para viajar para a Checoslováquia com o objectivo de salvar crianças ameaçadas pelo regime nazi.

Foi assim que Winton esteve 15 dias na Checoslováquia a receber famílias preocupadas em pôr os filhos a salvo fora da esfera de influência do Reich.

Winton salvou 669 crianças. Crianças que, graças a ele, se tornaram adultas, tiveram filhos, netos e bisnetos. Em 15 dias quantas vidas não são da responsabilidade da acção de Nicholas?

O que é fazer "tudo quanto podemos"?

Como sabemos se fizemos tudo quanto estava em nosso poder?

Winton poderia ter permanecido - como toda a gente - na sua terra, na sua cidade, no seu trabalho, sem ter feito nada disto. Poderia ter usado as suas férias para se levantar tarde, para ler, para apanhar banhos de sol na praia. Winton poderia ter-se envolvido em longas disputas retóricas em cafés, poderia ter-se manifestado durante as refeições contra Hitler, contra a Alemanha. Poderia ter manifestado aos seus amigos o seu repúdio pelos nazis. Poderia ter despejado um balde de água fria pela cabeça a baixo para mostrar com isso o quanto amava as crianças judias que o Nazismo queria dizimar.

Contudo, Nicholas não fez nada disso. Permaneceu nele sempre um tipo peculiar de silêncio. Mesmo depois da guerra acabar, Winton guardou para si o que fizera. Não o publicou para receber atenção, não o postou para receber likes, não o cantou para ser admirado pelos amigos, colegas, amigas e amantes.

Winton manteve silêncio. Um silêncio peculiar. O silêncio da seriedade. O silêncio da consciência.

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