terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Estudos inconjugáveis

A propósito de frases minhas... e de citações de outros...


10-03-2012: Na vida nunca se pode voltar a trás. Por isso não é exacta a metáfora da vida como uma estrada. É que a vida só tem um sentido: o desconhecido.
Só se vive uma vez e dessa vez ninguém nos deu livro de instruções, não há livro de reclamações, ninguém de facto decisivo para receber o nosso desconforto e nos acomodar num quarto melhor.
Baratas pela existência corroem as esperanças, fumos escurecem as vistas e lonjura estreita-se num ápice. Enquanto mefistófeles lava os olhos a vida foi-se, prematuramente vem a morte com a sua foice às macheias ceifando a vida como uma seara que se esgota.
O tempo corre e a vida escorre-nos entre os dedos, e lamentamos o que só por nossa culpa não foi brilhante.


08-03-2012: Mas agora tenho outra questão: seríamos capazes de viver, de facto, sem ser esteticamente? Há mais entre o céu e a terra que o estético? Não será tudo o que se supõe para lá dele apenas uma outra esteticidade?


13-01-2012: Numa sexta-feira 13 pergunto-me: que significa uma existência estética? Sim, ouço, leio, estético para aqui, estético para ali. Mas seríamos capazes de viver, de facto, esteticamente? Então, eu que ando de volta de Ἀρεταῖος - no original, sobre a Melancolia - penso imediatamente em Nietzsche, eu que me vejo grego no alemão: "Hier erinnert nichts an Askese, Geistigkeit und Pflicht: hier redet nur ein üppiges, ja triumphirendes Dasein zu uns, in dem alles Vorhandene vergöttlicht ist, gleichviel ob es gut oder böse ist.", Die Geburt der Tragödie. E então começo imediatamente a pensar no modo como uma existência estética, e uma existência melancólica parecem opostos, e no entanto, não o são.


10-01-2011: O duplo de Dostoievsky parece-me hoje mais profundo que há uns anos. A ideia de um outro que me leva a vida por mim, com quem compito, mas para quem já sei ter perdido - parece-me hoje menos melancólica e mais angustiada.


Decisão sem angústia, duração sem melancolia, espera sem tédio - será possível?

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