sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Kierkegaard, citações



o que é desenvolvido nestas páginas não representa qualquer interesse para aqueles que têm mentes simples, e que, sentindo o fardo da vida de outra forma, Deus quer preservar na sua louvável simplicidade, a simplicidade que não sente necessidade de outro tipo de compreensão, ou, na medida em que essa necessidade é sentida, tende a tornar-se apenas um suspiro sobre a miséria da vida, o suspiro que encontra conforto no pensamento de que a felicidade da vida não consiste em ser uma pessoa de conhecimento. Por outro lado, de facto interessa àquele que pensa que tem o talento e a oportunidade para investigações mais profundas, e pertence-lhe de tal maneira que o impede de virar as mãos sem pensar para a História do Mundo antes de ter em mente que ser um ser humano existente é uma tarefa tão extenuante e, ainda assim, tão natural para cada ser humano que uma pessoa naturalmente a escolhe primeiro e, provavelmente, nela encontra o suficiente com que se ocupar durante uma vida.

Kierkegaard, Postscriptum Conclusivo Não-científico, VII, 141

Kierkegaard, citações


A dificuldade de uma questão manifesta-se precisamente quando é posta na sua simplicidade, [...].

Kierkegaard, Postscriptum Conclusivo Não-científico, VII, 143

Kierkegaard, citações







A verdade objectiva não é suficiente para determinar se aquele que a diz é são, pelo contrário, ela pode justamente mostrar que ele é louco embora aquilo que ele diz seja inteiramente verdadeiro e, em particular, objectivamente verdadeiro.



Kierkegaard, Postscriptum Conclusivo Não-científico, VII, 162

Kierkegaard, citações





quando tudo se conjuga para tornar tudo mais fácil de todas as maneiras resta apenas um perigo, nomeadamente, o perigo de que a facilidade se torne tão grande que tudo se torne demasiado fácil.



Kierkegaard, Postscriptum Conclusivo Não-científico, VII, 155

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Leituras de Kierkegaard

A propósito de consciência...

A consciência ética protesta contra toda a objectivação - ela apela ao sujeito, na sua interioridade mais própria, reclamando que cuide de si mesmo com a maior seriedade. A consciência ética intima o indivíduo na sua mais profunda intimidade, e é nesta profundidade que se encontra o direito mais radical do indivíduo de acolher-se a si mesmo - a consciência é uma intimação da subjectividade: objectivamente, ela é nada de nada. Mas mesmo que esteja presente num único humano de entre todos os espécimes de Homo Sapiens Sapiens, então ela está apenas nele, como sempre esteve apenas no indivíduo, e é nessa consciência única, irredutível e sem abstracção possível que a humanidade se conserva acima de toda a história mundial, de toda a explicação sistemática, e de toda a interiorização dos costumes.