sábado, 17 de março de 2018

David Benatar: anti-natalismo


A propósito do significado de existir




«Each one of us was harmed by being brought into existence. That harm is not negligible, because the quality of even the best lives is very bad—and considerably worse than most people recognize it to be. Although it is obviously too late to prevent our own existence, it is not too late to prevent the existence of future possible people. Creating new people is thus morally problematic.»


David Benatar, Better never to have been: The harm of coming into existence

quarta-feira, 14 de março de 2018

O universo não tem uma existência independente

A propósito de Stephen Hawking


«Segundo a concepção tradicional do universo, os objectos deslocam-se segundo trajectórias bem definidas e têm histórias precisas: a cada momento, podemos especificar a sua posição exacta. [...]
[...] À medida que formos procurando as nossas respostas, iremos explicar a abordagem de Feynman em pormenor e utilizá-la para explorar a ideia de que o próprio universo não tem uma única história, nem sequer uma existência independente, o que, mesmo para muitos físicos, poderá parecer uma ideia radical.»
Stephen Hawking, O Grande Desígnio

=É sempre refrescante ler Stephen Hawking... sobretudo, depois de lermos ou ouvirmos os cientistas habituais, e os filósofos da ciência tecerem as suas certezas epistemológicas acerca do universo e do conhecimento científico... Hawking repõe os problemas no sítio, sem descurar a filosofia inerente.=

Evolução do pensamento

A propósito da ideia de que o conhecimento evolui num sentido determinado


«Os jónicos não eram senão uma das muitas escolas da filosofia grega antiga, [...]. Infelizmente, a visão da Natureza dos jónicos (a ideia de que a Natureza pode ser explicada através de leis gerais e reduzida a um conjunto de princípios) só exerceu uma influência significativa durante alguns séculos.»
Stephen Hawking, O Grande Desígnio


Que isto nos sirva de aviso. No passado, a ideia naturalista da natureza exerceu influência durante alguns séculos. Depois, desapareceu do mapa durante mais de um milénio.

Lembremo-nos disto sempre que vemos crescer à nossa volta movimentos anti-ciência, anti-vacinas, da terra plana, da pós-verdade, dos factos alternativos, das ciências alternativas, etc...

Natureza indiferente

A propósito da indiferença da natureza


«Os sucessores cristãos dos gregos rejeitaram a ideia de que o universo pudesse ser regido por uma lei natural indiferente.»
Stephen Hawking, O Grande Desígnio

Portanto, os pensadores cristãos adoptaram, jubilosamente, o bom princípio pagão de que a natureza tem estados de alma e carácter moral!!! Resta saber como teria sido a história humana dos últimos 2000 anos se a noção jónica não tivesse sido eliminada pelos pensadores cristãos! Provavelmente, a nossa evolução científica e tecnológica teria sido imensamente mais rápida, e hoje estaríamos muito mais frente.

Ou seja, muito provavelmente, por esta altura, já teríamos dado cabo disto tudo e mandado a vida na Terra para o galheto! Quem sabe se a razão pela qual ainda há vida na Terra não é o descrédito em que a ciência/física teórica caiu no período de emancipação cristã?

segunda-feira, 12 de março de 2018

Quem tem cu tem medo

A propósito de como antigamente se pensava de modo tão diferente


"qui potest mori, non potest cogi"
«quem pode morrer, não pode ser coagido»



"qui non potest mori, non potest non cogi"
«quem não pode morrer, não pode evitar ser coagido»



"cogi qui potest nescit mori"...
«aquele que pode ser coagido, não aprendeu a morrer»


Hoje pensa-se que é porque se pode morrer que se pode ser coagido, pois, como se sabe, quem tem cu tem medo.

Mas antigamente pensava-se exactamente o oposto: qui potest mori, non potest cogi...